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"Quando você convive muito com a morte, você se acostuma com ela"

Sinopse

O livro aborda as formas de violências contra o povo indígena Avá-Guarani diante do contexto da retomada de uma parcela do seu território de ocupação tradicional. Essa publicação é fruto de pesquisa etnográfica realizada com os Avá-Guarani, localizados nos municípios de Guaíra e Terra Roxa, onde, ao longo dos anos 2000 iniciaram o movimento de entrar novamente nas terras em que foram espoliados ao longo dos séculos XIX e XX. Este movimento, protagonizado pelas lideranças indígenas juntamente ao seus núcleos familiares, demandou da FUNAI (Fundação Nacional do Índio) a abertura do processo administrativo para a identificação e demarcação de uma Terra Indígena que foi nomeada de T.I. Tekohá Guasú Guavira. No entanto, um forte movimento de agricultores antagonistas à demarcação das terras para os Avá-Guarani passaram a realizar um movimento contrário as demandas territoriais dos Avá-Guarani, difamando a imagem dos indígenas, que passaram a ser qualificados como "invasores de terras" e "falsos índios", bem como a ser alvos de frequentes ameaças de morte e outros ataques, como atropelamentos e tentativas de atropelamentos e sequestro. Desse modo, ao longo do livro veremos como os indígenas relatam as situações de violências físicas e simbólicas que perpassam em seus corpos. Também é abordado o movimento antagonista à demarcação de terras para os Avá-Guarani e as formas por meio das quais se deu a propagação do imaginário do "índio invasor", que serviu para justificar uma série de atrocidades desferidas aos indígenas. Busco mostrar que a violência contra os Avá-Guarani não é produto apenas do momento atual, mas que ela aparece em diversas "situações históricas" (PACHECO DE OLIVEIRA, 1988) sob diferentes roupagens. Para tanto, fiz a distinção de cinco situações históricas, abordadas no segundo capítulo: a) a construção da Ciudad Real na foz do Rio Piquiri e as reduções jesuíticas (século XVII); b) Guerra contra o Paraguai e a criação da Cia. Mate Laranjeira (final do XIX e inícios do XX); c) Marcha para o Oeste e as políticas de expansão para o interior do país; d) Construção da Itaipu Binacional (em contextos da ditadura militar, 1970-1980) e e) a situação histórica atual configurada pelo agronegócio e regularização fundiária das terras Avá-Guarani.