Viagem

Viagem

Sinopse

Viagem foi o passo inicial para Cecília Meireles ser apontada como a maior poetisa da língua portuguesa. Seus versos, repletos de delicadeza e sensibilidade, despertam no leitor imagens e sentimentos adormecidos nos estados da alma humana, convidando-o para acompanhá-la, como privilegiado passageiro, nessa inquieta viagem que é a vida.A obra representa um momento de ruptura e renovação na obra poética de Cecília. Ate então, sua poesia ainda estava ligada ao neossimbolismo e a uma expressão mais conservadora. O novo livro trouxe a libertação, representando a plena conscientização da artista, que pode a partir de então afirmar a sua voz personalíssima: "Um poeta e sempre irmão do vento e da água:/ deixa seu ritmo por onde passa", mesmo que esses locais de passagem existam apenas em sua mente. Como o titulo sugere, o livro e uma longa e sedutora viagem, mas por rotas imaginarias, identificadas com os sonhos que se dissolvem em lonjuras sem margens, com vaga consistência de realidade, na qual as palavras se harmonizam em pura musica: "Estou diante daquela porta/ que não sei mais se ainda existe.../ Estou longe e fora das horas,/ sem saber em que consiste/ nem o que vai nem o que volta.../ sem estar alegre nem triste". Esse estado de alma - ou estados de alma, pois a sensibilidade aguçada do poeta esta sempre aberta a estímulos e sensações - pode ser compreendido, como sugere Alfredo Bosi no prefácio, como um "sentimento de distância". Essa distancia em relação ao mundo visível, material, favorece uma aproximação mais profunda da poeta consigo mesma, absorvida em seu mundo interior, mas também inquieta e intrigada diante de sua própria imagem, como se comprova nos versos de "Retrato": "Eu não tinha este rosto de hoje,/ assim calmo, assim triste, assim magro,/ nem estes olhos tão vazios,/ nem o lábio amargo". Encontro consigo mesma, revelação e descoberta, sentimento de libertação, desvio pelas rotas dos sonhos, essa Viagem se consolida numa serie de poemas de beleza intensa que, por vezes, tocam os limites da musica abstrata.

Autor

Cecília Meireles, nossa poeta maior, nasceu no dia 7 de novembro de 1901, no Rio de Janeiro. Aos 3 anos de idade perdeu a mãe e não chegou a conhecer o pai, que morreu antes de seu nascimento. Órfã, foi criada pela avó materna, Jacinta Garcia Benevides. Casou-se em 1922 com Fernando Correia Dias, artista plástico com quem teve três filhas. O marido cometeu suicídio em 1935 em razão da depressão. Viúva, casou-se novamente em 1940 com Heitor Vinícius da Silveira Grilo, professor e engenheiro agrônomo. Faleceu no Rio de Janeiro, em 9 de novembro de 1964. Foi poeta, ensaísta, cronista, folclorista, tradutora e educadora. Em 1919, a autora publica seu primeiro livro de poemas intitulado Espectros. Em 1934, Cecília Meireles organiza a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro. Em 1939, é agraciada com o Prêmio de Poesia Olavo Bilac concedido pela Academia Brasileira de Letras pelo livro Viagem. Entre os prêmios que recebeu, estão ainda: Prêmio de Tradução/Teatro, concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte, em 1962; e, no ano seguinte, ganhou o Prêmio Jabuti de Tradução de Obra Literária, pelo livro Poemas de Israel, concedido pela Câmara Brasileira do Livro; no ano de sua morte, recebeu ainda o Jabuti de poesia pelo livro Solombra; e em 1965, o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto de sua obra. Sua poesia foi traduzida para o espanhol, francês, italiano, inglês, alemão, húngaro, hindi e urdu, e musicada por Alceu Bocchino, Luis Cosme, Letícia Figueiredo, Ênio Freitas, Camargo Guarnieri, Francisco Mingnone, Lamartine Babo, Bacharat, Norman Frazer, Ernest Widma e Fagner. A Global Editora publica, com exclusividade, todas as obras de Cecília Meireles.