Categorias Ver Todas >

Audiolivros Ver Todos >

E-books Ver Todos >

A Imagem Sobrevivente

A Imagem Sobrevivente

Sinopse

Este livro marca uma tomada de posição diante das visões tradicionais da história da arte. Não sem audácia, Georges Didi-Huberman as confronta com os paradoxos abertos pelas potências fantasmáticas da imagem. Trata-se de uma experiência que abala as relações causais, desmantelando as cronologias e as clássicas demarcações temporais. Para desdobrar essa força anacrônica, o autor evoca o mítico Aby Warburg, esse espectro que atravessa as paredes dos diversos saberes e assombra cada vez mais os cômodos da história da arte.

    Neste texto lúcido e apaixonado, o leitor é conduzido pelo universo warburguiano, esmiuçando suas influências e seus conceitos, sem deixar de lado sua surpreendente biografia. Vai surgindo, assim, uma antropologia das imagens que amalgama vida e obra. Uma ""história de fantasmas"" baseada na sobrevivência das imagens como forma de perturbação da história, como uma memória que irrompe pelos tempos a bordo das silhuetas e dos ícones exalados pelas culturas.


    No espectro assim entrevisto, vislumbram-se os paradoxos temporais das imagens: seus movimentos obsessivos de transmissão do páthos em diferentes tipos de gestos. Nas intensidades desta fórmula perturbadora revelam-se os sintomas produzidos pelas contradições dos não saberes e das irreflexões, pelos inconscientes do tempo. Nesse ""modelo sintomal"", o devir das formas é analisado como um conjunto de processos tensivos: ""Tensionados, por exemplo, entre vontade de identificação e imposição de alteração, purificação e hibridação, normal e patológico, ordem e caos, traços de evidência e traços de irreflexão.""


    As vozes que ecoam neste livro cobrem desde a historicidade de Burckhardt até o eterno retorno de Nietzsche, desde a morfologia de Goethe até a memória biológica de Darwin e a empatia de Vischer, desde o inconsciente de Freud até as sobrevivências de Tylor e a fenomenologia do tempo psíquico na qual se baseou a clínica de Binswanger.


    De acordo com Didi-Huberman, Warburg está para a história da arte ""como estaria um fantasma não redimido para a casa que habitamos"". Sua obra, que culmina com o fascinante projeto inacabado do atlas Mnemosyne, é complexa e instigante, mas muito difícil de ser capturada sem correr riscos. Por isso, não espanta que esse pensador singular tenha se transformado numa obsessão: ""Alguém que volta sempre, sobrevive a tudo, reaparece de tempos em tempos, enuncia uma verdade quanto à origem.""

À luz deste livro, cuja edição na língua original ocorreu em 2002 e atualmente é considerado o mais importante de Georges Didi-Huberman, esse fantasma ganha ainda mais brilho e é enriquecido ao se reencarnar nas reflexões desse prolífico pensador francês. Nestas páginas, ele é reinventado, além de ""persistir como uma bela lembrança"".

                                         Tadeu Capistrano



Georges Didi-Huberman é filósofo e historiador da arte. Professor na École des Hautes Études en Sciences Sociales, já publicou cerca de trinta livros sobre história e teoria das imagens a partir de um campo de estudos que vai da arte renascentista à arte contemporânea, incluindo pesquisas sobre a iconografia científica no século XIX, o cinema, a escultura, instalações e estudos sobre filósofos, artistas e historiadores, tais como Aby Warburg, Walter Benjamin, Carl Einstein, Bertold Brecht, Jean Baptiste Giacometti, Georges Bataille, Pier Paolo Pasolini, Jean-Luc Godard e Harun Farocki, e