No Brasil ainda tem gente da minha cor?

No Brasil ainda tem gente da minha cor?

Sinopse

Em No Brasil ainda tem gente da minha cor?, temos o relato instigante das viagens feitas por Zora Seljan pela Nigéria e pelo Benim no início dos anos 1960. Estudiosa do folclore, a autora expõe com argúcia e sabor os detalhes e as dinâmicas de festas, missas, músicas, danças, culinária, enfim, toda uma rede de valores e costumes dos povos dessas regiões que acabaram, de forma fragmentada ou integral, sendo transmitidos ao Brasil. Da mesma maneira, Zora tem o dom de revelar o que esses territórios e suas populações, à primeira vista tão distantes do Brasil, acabaram, também de modo seletivo, incorporando dos brasileiros que lá estiveram.A autora proporciona com sua narrativa o acesso a histórias de vida de povos cuja vitalidade cultural tingiu imensamente o que fomos, o que somos e que podemos vir a ser. As páginas deste livro trazem as vivências de uma escritora que soube, como poucos, recolher e revelar os vestígios de histórias e culturas mestiças que ainda hoje são frequentemente silenciadas.O texto de apresentação feito especialmente para esta edição da Global é de Emanoel Araujo, artista plástico e atual diretor do Museu Afro Brasil, de São Paulo, que sintetiza com propriedade a relevância deste livro:"Esses relatos de Zora Seljan sobre africanos e brasileiros retornados são páginas da nossa história humana e cultural. O Brasil foi protagonista da vida daquela gente e sempre ficou alheio a todos esses desdobramentos. Essa história está viva ainda lá, não sei se na Nigéria, mas certamente no Benim. Nas cidades de Uidá e Porto Novo, uma parte das tradições descritas continua desafiando o tempo, para nossa sorte. Se algum brasileiro se aventurar por aquelas plagas, vai encontrar seguramente o que Zora vivenciou. Com idêntica emoção."O ano de 2018 marca o centenário de nascimento de Zora Seljan, que completaria cem anos de idade em 7 de dezembro próximo.

Autor

Nasceu em Ouro Preto, Minais Gerais, em 7 de dezembro de 1918. Escreveu peças de teatro, romances, crônicas e também atuou como crítica teatral dos jornais O Globo, O Dia e da revista Diretrizes. Foi a primeira jornalista sul-americana a visitar os países da Cortina de Ferro (Rússia e países da antiga União Soviética). Nos anos 1960, residiu na Nigéria, onde foi professora de Literatura Brasileira e Portuguesa da Universidade de Lagos. Para transmitir seu conhecimento sobre a cultura africana, publicou diversos livros, dentre os quais se destacam peças teatrais como Três mulheres de Xangô (1958) e ensaios como No Brasil ainda tem gente da minha cor? (1978). Faleceu no Rio de Janeiro, em 26 de abril de 2006.