O conde e o passarinho

O conde e o passarinho

Sinopse

Em O conde e o passarinho, livro de estreia de Rubem Braga, já se encontra presente um dos traços mais vivos da personalidade do cronista: sua firme inquietude.Faz-se necessário também destacar a variada procedência dos textos coligidos no volume: Rio de Janeiro, São Paulo, Recife e Bahia. Nos instantes de maturação de sua escrita, Rubem Braga indicia com sua trajetória nômade sua disposição a nunca se acomodar e, ao invés disso, a se lançar constantemente em novos postos para observar e narrar o que ocorre à sua volta.Um menino nascer com o coração fora do corpo em São Paulo, a revolta de uma mãe no Rio de Janeiro diante do fato de sua filha ter fugido com um homem negro, a viva alegria das ruas do Recife na véspera de um dia de São João são passagens da vida cotidiana que Rubem nos transmite com seu indelével lirismo."O baile da primeira classe acabou, os passageiros vão para os camarotes. Quatro frades fumam cachimbos, conversam em alemão e gargalham em alemão. Deixemos abertas as vigias do camarote. Permitamos que o companheiro ronque. Fechemos o livro, a luz, os olhos. Amanhã cedo será Vitória. Hoje o sol morreu em Cabo Frio, atrás do rochedo tão alto. O mar estava belo, havia um nordeste embora fraco. O sol se espalhou em sangue no mar." (Da crônica "Noturno de bordo")

Autor

Rubem Braga nasceu em Cachoeiro do Itapemirim, ES, em 1913. Ainda estudante, iniciou-se no jornalismo fazendo uma crônica diária no jornal Diário da Tarde. Como repórter, trabalhou na cobertura da Revolução Constitucionalista de 1932 para os Diários Associados. Mesmo depois de formado em Direito, continuou com o jornalismo, escrevendo crônicas para O Jornal.Mudou-se para Recife, PE, e passou a escrever para o Diário de Pernambuco. Fundou, no Rio, o jornal Folha do Povo, tomando partido da ANL (Aliança Nacional Libertadora). Em 1936, lançou seu primeiro livro de crônicas, O Conde e o Passarinho. Em 1938, fundou, junto com Samuel Wainer e Azevedo Amaral, a Revista Diretrizes. Foi correspondente de guerra na Europa durante a Segunda Guerra Mundial pelo Diário Carioca, tendo tomado parte da campanha da FEB (Força Expedicionária Brasileira) na Itália, em 1945. No período de 1961 a 1963, foi embaixador do Brasil no Marrocos.Considerado um dos maiores cronistas brasileiros, Rubem Braga publicou diversos livros, entre eles Crônicas do Espírito Santo e Coisas simples do cotidiano.O autor adorava a vida ao ar livre, morava em um apartamento de cobertura, em Ipanema, onde mantinha um jardim completo, com pitangueiras, passarinhos, e tanques de peixes.Nos últimos tempos, publicava suas crônicas aos sábados no jornal O Estado de São Paulo. Foram 62 anos de jornalismo e mais de 15 mil crônicas escritas. Rubem faleceu, no Rio de Janeiro, no dia 19 de dezembro de 1990.