O imaginário cotidiano

O imaginário cotidiano

Sinopse

Nem sempre a vida imita a arte. Com muito mais frequência, a vida inspira a arte, por razões óbvias. A riqueza do cotidiano é infinita. Dramas, comédias, óperas bufas, tragédias de arrepiar, psicologias complicadas, tudo fervilha na realidade de cada dia. Saber explorar esse material inesgotável é prova de sagacidade, mas exige também do escritor uma certa adaptação, como ocorreu com Moacyr Scliar na elaboração dos trabalhos reunidos em O Imaginário Cotidiano.Acostumado a extrair o material de suas obras da própria mente, o escritor gaúcho sentiu-se um tanto embaraçado quando recebeu convite da Folha de S. Paulo para escrever ficção baseada em notícias publicadas no jornal, ou seja, a arte não apenas imitando a vida, mas se estruturando a partir da própria realidade cotidiana imediata.No início, Scliar ficou em dúvida. Daria certo? Atirando-se ao empreendimento e superando as próprias desconfianças, logo se conscientizou das múltiplas possibilidades da proposta. Mais do que enveredar por uma nova aventura, fascinou-o a possibilidade de explorar uma espécie de história virtual "que complementa ou amplia a história real (se é que sabemos exatamente o que é uma história real)".Assim, passou a pinçar aqui e ali trechos do noticiário, aparentemente incapazes de servir de material inspirador de ficção: o mercado da Bolsa deixando um operador neurótico, quatro pessoas feridas por balas perdidas, macacos famintos que invadem as cidades, homem preso por forjar o próprio sequestro, um pretenso modelo matemático capaz de prever gols no futebol, o jogador que queria direitos autorais sobre os seus gols.São indicações sumárias, que o escritor explora com sarcasmo, comoção ou a mais pura gozação, mas sempre com aquele dom de se comunicar com o leitor e envolvê-lo desde a primeira frase.

Autor

Moacyr Scliar nasceu em Porto Alegre (RS), em 1937. Formou-se em Medicina em 1962, com especialização em Saúde Pública. Desde 1968 praticava o exercício de escrever ficção, ensaios, crônicas e literatura para jovens, sendo autor de aproximadamente setenta livros. Suas obras já foram traduzidas em mais de vinte países com grande aceitação da crítica. Detentor de vários prêmios concedidos no Brasil e no exterior, foi colunista dos jornais Zero Hora (Porto Alegre) e Folha de S.Paulo. Passou a ocupar em 2003 a cadeira nº 31 da Academia Brasileira de Letras. Faleceu em fevereiro de 2011.Pela Global Editora, tem publicadas as seguintes obras: Melhores Contos Moacyr Scliar, com seleção e prefácio de Regina Zilberman; Melhores Crônicas Moacyr Scliar, com seleção e prefácio de Luís Augusto Fischer; O Imaginário Cotidiano; e os indicados para crianças e jovens: Um Sonho no Caroço do Abacate e Gota d´água.Também integra as antologias Conto Com Você, Prosas Urbanas e A Prosa do Mundo.