Villa Boa de Goyaz

Villa Boa de Goyaz

Sinopse

Depois de muitos anos vivendo longe de sua terra natal, Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas regressou a cidade de Goiás Velho. Deu-se então uma espécie de reencontro com as suas raízes. A sensibilidade se aguçou, o passado voltou com força, e a velha senhora iniciou a sua busca do tempo perdido, assumindo a plena condição de poeta. Nascia assim Cora Coralina, cujos versos logo iriam conquistar o Brasil. Sem alarde, Cora dedicou parte de sua produção poética à cidade natal. Inédito durante anos, esse material, poesia e prosa, foi reunido na publicação póstuma Villa Boa de Goyaz. Costuma-se dizer que cada terra tem o cantor que merece. Mais do que mérito, é uma questão de afinidade, meio misteriosa, entre a pessoa e o ambiente que a envolve. Afinidade, porém, nem sempre se traduz por reverência. Muitas vezes explode em revolta. Quem não se lembra dos versos maldizentes de Gregório de Matos contra a Bahia seiscentista? Ao contrário do poeta baiano, as relações de Cora Coralina com a sua cidade foram da mais estreita ternura. Com olhos de ver e ouvidos de ouvir, a poeta goiana registra cada aspecto da vida cotidiana da comunidade com frescor e carinho, como se acabasse de descobri-los. Nada escapa à sua atenção e curiosidade, o velho telhado de mais de duzentos anos, o badalar dos sinos, os velhos carnavais, a catedral, a alegria ruidosa dos estudantes, o museu, as ruas e becos cheios de lendas e mistérios. Com prazer, recria velhas cantigas folclóricas, algumas de destinação mágica, como a de Santa Luzia, com "seu cavalinho/comendo capim", que se pronunciava sobre o olho da pessoa momentaneamente enceguecida por um cisco. Villa Boa de Goyaz é poesia, mas também testemunho, um valioso material para quem desejar reconstituir a vida e um pouco dos sonhos dos homens e mulheres que viveram naquele chão perdido no grande Planalto Central do Brasil.

Autor

Cora Coralina é o pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto (1889-1985), que nasceu na cidade de Goiás, antiga Villa Boa de Goyaz, em 1889. Filha de Francisco de Paula Lins dos Guimarães Peixoto, desembargador nomeado por D. Pedro II, e de Jacinta Luísa do Couto Brandão, Ana nasceu e foi criada às margens do rio Vermelho, em casa comprada por sua família no século XIX, quando seu avô ainda era uma criança. Estima-se que essa casa foi construída em meados do século XVIII, sendo uma das primeiras construções da antiga Vila Boa de Goiás. Aos 15 anos de idade, Ana, devido à repressão familiar, vira Cora, derivativo de coração. Coralina veio depois, como uma soma de sonoridade e tradução literária. Foi uma poetista e contista brasileira de prestígio, tornando-se um dos marcos da nossa literatura . A autora iniciou sua carreira literária aos 14 anos com o conto "Tragédia na Roça" publicado no "Anuário Histórico e Geográfico do Estado de Goiás". Casou-se com o advogado Cantídio Tolentino de Figueiredo Brêtas e teve seis filhos. O casamento a afastou de Goiás por 45 anos. Ao voltar às suas origens, viúva, iniciou uma nova atividade, a de doceira. Além de fazer seus doces, nas horas vagas ou entre panelas e fogão, Aninha, como também era chamada, escreveu a maioria de seus versos. Publicou o seu primeiro livro aos 76 anos de idade e despontou na literatura brasileira como uma de suas maiores expressões na poesia moderna. Em 1982 – mesmo tendo estudado somente até o equivalente ao 2º ano do Ensino Fundamental – recebeu o título de doutora Honoris Causa pela Universidade Federal de Goiás e o Prêmio Intelectual do Ano, sendo, então, a primeira mulher a receber o troféu Juca Pato. No ano seguinte foi reconhecida como Símbolo Brasileiro do Ano Internacional da Mulher Trabalhadora pela FAO. Morreu em Goiânia, aos 95 anos, em 1985.